quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Rosas Brancas

em 20/04/2002
As rosas vermelhas
são tingidas de paixão;
amarelas: de amizade.
Agora compreendo
porque as desgosto.

Prefiro às brancas.
Brancas,
puras como devem ser
àqueles que buscam
conhecer um ao outro

Que sejam rosas apenas
depois de coloridas
com o vento de cada uma das estações
e com o desejo
de cada momento
descobertos juntos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Um céu muito mais doce

Foto em familia: minha avó e os filhos (e eu de gaiato)
no alto: Tio Gilson, Dete (tia), Sessé (minha mãe) e Tio Ivan
abaixo: eu, Zene, Voinha (Alice) e Tia Dinalva

A saudade aperta o peito. Falta um pouco de ar. Respitro pela boca para ganhar força; os olhos enchem de lágrimas e transbordam.

Minha tia Zene partiu hoje. Ficou a saudade e as lembranças...

lembranças de destaque de quase todos os meus aniversários, perto de um bolo caprichosamente bem feito, delicioso e recoberto em camadas de glacê que somente ela sabia fazer;

lembranças de cada 1° de abril que fazia questão de me ligar para passar um trote por mais simples que fosse;

lembranças da casa da minha avó, que sempre foi como uma segunda casa para mim;

lembrança de bons momentos, de boas risadas, de gestos, de mimos, de carinho. Boas recordações que guardarei para sempre.


Cada religião trata com distinção a relação entre a vida e a morte, assim também como cada qual descreve à sua maneira, para onde vamos quando nosso corpo não consegue mais manter nossa essência: a vida.

Tenho uma maneira particular de pensar no céu; prefiro acreditar que o céu é diferente para cada pessoa, diferente de tudo o que voce ja ouviu ou leu; uma versão do céu especialmente sua e feita para você.

Assim sendo... amanhã e nas próximas vezes que olhar para o alto, não verei apenas o azul e as nuvens brancas... verei o céu de minha tia, o mundo criado em seus bolos, onde as núvens serão de glacê coloridos, as casas terão telhados de Waffers, as cercas serão feitas de Deditos com destalhes em jujuba, a grama será bem verde, feita de açúcar cristal, os caminhos recobertos de piso feito de bolacha e os rios de espelho, onde haverá flores e pombas de fécula.

Será um céu muito mais alegre e muito mais doce.
Descanse em paz.

Quando é que a gente se sente velho?

em 2006-12-15

Às vezes eu me sinto velho. Não um velho de idoso. Apesar de algumas vezes estar com dores nas costas, reclamar de várias coisas e já ter começado a criar minhas rotinas/manias as quais começo a gostar, ainda estou novo.

Novo mas velho. Como é possível?
Acho que a "velhice" tem a ver com a quantidade de lembranças e análises que conseguimos fazer. Lembro de muitas coisas, de muitas pessoas, de várias conversas, das análises sobre tudo o que já vi, ouvi, vivi e as vezes aprendi.

Hoje eu consigo pensar como meu pai, como minha mãe. Consigo lembrar dos conselhos deles e as vezes constumo usar as mesmas frases e impressionante, no mesmo tom, para as pessoas mais "novas" que conheço.

Engraçado como me sinto cada vez mais parecido com meus pais.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Carambolas


O tempo conta de forma diferente para cada pessoa.

Eu ainda me vejo como o menino amarelo que brincava de Playmobil no canto do quarto sozinho durante horas e horas antes que meus colegas vizinhos chegassem ou partissem.

Era aonde eu criava meu próprio mundo, onde o bem sempre vencia o mal depois de sofrer um pouco, onde o mocinho sempre ficava com a mocinha no final e onde tudo poderia recomeçar no dia seguinte mesmo quando a empregada recebia ordem de minha mãe para botar abaixo as casas e o Forte Apache; era hora de limpar o quarto.

Eu ainda me vejo moleque, brincando de picula, de esconde-esconde, de gude, de soltar pipa na rua, de correr descalço pela calçada e fazer algazarra com os outros moleques.

Ainda lembro como se fosse ontem, das aulas da alfabetização, das mesas baixinhas e grandes que sentavam 4 colegas. Sou capaz até de lembrar de todas as salas de aula pelas quais passei. Das aulas de educação física quando eram ainda na garagem, e tinha que usar conga azul. Lembro da pia embaixo da escada que ficava no meio da escola e que sempre eu tinha que me abaixar, e também da pia que ficava no pavimento de cima no meio da escada que só passei a usar quando fomos para a 1° série. Das janelas laranja... de vários detalhes.

Lembro de tardes maravilhosas e intermináveis de desenhos na tv, durante as férias na casa de minha avó. De brincar com os gatos, de jogar burro, de catar feijão com minha tia durante a noite, de minha outra tia aplicar glacê nas pontas dos meus dedos só para eu poder lamber um-a-um. Lembro do meu tio trazendo bloquinhos para que eu pudesse escrever, de tirar um sono de tarde no quarto da frente da casa e minha avó e tias sempre colocarem uma cadeira para eu não cair da cama, mesmo tendo passado dos 10 anos... Lembro de percorrer e explorar o quintal até as bananeiras ou tentar tirar carambola do pé que havia no fundo da casa. Até hoje a palavra carambola representa pra mim parte da casa de minha avó.

Minha memória não me deixa esquecer que ainda sou o menino amarelo que ainda guarda viva na memória alguns dos melhores momentos da infância.


Mais cedo, havia muito tempo: tempo para planos, para imaginar, para construir, criar, fazer acontecer. Agora o tempo futuro parece espremido, os planos ficaram em segundo lugar.

Passei um bom tempo tentando escolher palavras certas, mas não há palavras certas pra descrever a angustia que invadiu o peito e alojou-se no coração, quase em forma de saudade.

Um dia, quem sabe, você entenda o que escrevi... o que senti. Um dia.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007